
E aqui estou nesta quente tarde de verão neste quarto branco e vazio em frente ao computador, pensando na vida, na morte, em tudo e em nada. Querendo esvaziar a minha mente de qualquer pensamente tolo e estapafurdio que possa ter. Vou a caminho do meu vigésimo aniversário e olho para trás e penso "o que é que eu fiz até agora?" a resposta poderia muito bem ser "nada" mas não é, tudo o que faço normalmente dá asneira, o que é bem pior. Às vezes gostava de ficar no meu pequeno mundo de sonhos, fugir da dura realidade mas infelizmente não posso dormir vinte e quatro horas por dia e acreditem que já tentei. Acordo e olho-me ao espelho, quase não me reconheço, apenas reconheço a velha falta de confiança que sempre me acompanhou, pensei que chegando a esta idade já teria passado, mas não, continua aqui do meu lado a assombrar-me os meus sonhos e a minha vida. Sei que não podemos viver no passado e que não devemos pensar no futuro, mas e quando o nosso passado nos marca de tal forma que as feridas ainda não cicatrizaram? E se os erros do presente decidirem o meu futuro? Não quero falar do passado nem ter um futuro determinado. O meu passado é o meu passado, tenho de viver com ele quer queira quer não, não o posso esquecer mas também não o quero relembrar. E o meu futuro? O meu futuro está nas minhas mãos, não está traçado, sou eu quem o decide, não há essa treta do destino, o destino é o atalho e eu prefiro ir pelo meu próprio caminho mesmo que isso signifique perder-me a meio. Talvez isto seja o calor que afectou a minha cabeça, talvez seja mais um desabafo que ninguém perceberá, talvez um dia eu venha a perceber o que aqui escrevi, mas até lá vou dormindo e sonhando com um dia de verão em que o sol não me queime a pele.

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