Eu...

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Matosinhos, Porto, Portugal
Sou um anjo, um demónio, alguém que desperta desejo, alguém que desperta repulsa. Sou um simples homem perdido neste mundo em busca de um sentido para a vida. Sou aquele que na infelicidade se encontrou, graças a eles. Sou aquele que aprendeu a amar e ser amado, graças a vocês. Sou mais frágil do que deixo transparecer, sou mais forte do que possam julgar, as críticas não me rebaixam e os elogios não me iludem. Passei pelo céu e pelo inferno, morri por dentro, mas voltei, voltei por aqueles que amo, por aqueles que acreditam em mim... Sou como sou, o melhor e o pior, alguém com algumas qualidades e muitos defeitos. Sou simplesmente "eu"...

domingo, 30 de dezembro de 2007

O Canto Do Marinheiro


Sou capitão do meu próprio navio, cruzei os sete mares do céu e do inferno, atravessando ondas tempestades e nuvens, nas minhas viagens encontrei orquideas cravos e rosas, ouro prata e diamantes, ébano marfim e ópio.

Procurei por mim mesmo nas profundezas do céu reflectido no mar negro para no fim encontrar tudo o que nunca esperei encontrar, no caminha houveram ondas que viera, ondas que ficaram, ondas que foram, ondas que um dia voltarão.

Olhei os olhos de Ares e Afrodite e no seu ténue reflexo vislumbrei-me a mim mesmo com aroma de Hades entranhado no meu ser, vislumbrei o que seria o meu futuro e mais além, desejei mudar de rumo, rumar para um mar distante e longinqui nas planicies montanhosas da lua.

Tomei por garantido o que apenas ao mar pertencia, mergulhei para nunca mais voltar à tona e afundei o meu navio na costa, perdi o que me era maissagrado na branca areia manchada de lágrimas negras.

Pensei estar perdido mas o meu lar estava mesmo à minha frente, pensei abrir a porta mas não consegui, não pude, não quis.

Corri para o mar e mergulhei até às profundezas, até ao lar dos titãs aprisionados, sussurrei então ao ouvido de Chronos "apenas mais um segundo, um segundo apenas te peço" mas ele não respondeu e troçou deste pobre marinheiro.

Este marinheiro que ainda hoje procura um rumo, um destino, uma razão que nunca vai encontrar, a razão que não existe nem na terra nem no mar, ela apenas existe dentro de si mesmo, nas profundezas do seu frágil corajoso coração.

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